segunda-feira, 12 de março de 2012

Não vá tão longe para procurar o que esta dentro de você!

Quando arrumei minhas tralhas e sai do interior do estado, como todo aventureiro não tive medo de enfrentar a saudade de meus familiares, amigos e tratei de esquecer aquela moça.
O caminho era íngreme meu chinelo estava gasto nas costas levava apenas três garrafas medias de água, e alguns biscoitos e sanduíches feitos pela mãe, depois de algumas horas de caminhada resolvi parar num galpão velho e desabitado, foi o tempo suficiente de entrar e lá fora começar a cair à garoa rente ao chão, quieta como o silêncio da madrugada.
Pela manhã recomecei a caminhar, junto com aqueles que eu queria bem deixei as desavenças, enterrei no chão fértil do lugar meu passado que no momento não me açoitava o pensamento.
Talvez um dia volte, quando isso acontecer à certeza que tenho é de que os ressentimentos estarão anexados no passado.
A estrada é extensa igual à vontade de começar um novo estagio de minha vida, não estava mais tão ansiado, mas a fome era presente, pois havia terminado a comida.
 Não tinha conhecimento de quando tempo faltava para chegar à capital, resolvi parar e perguntar a um senhor, que era o dono de um restaurante, o único estabelecimento que vi durante horas de caminhada, o nativo de olhar firme e palavras bem desenhadas.
Ele disse:
- Meu jovem... Não estas longe, caso não tenhas dinheiro para comer, lhe forneço um prato de comida reconhecendo o esforço de caminhares tanto a chegar ao teu objetivo.
Com lagrimas nos olhos agradeci à generosidade do humilde a comida era simples, mas feita com capricho pela esposa de Pedro, que agora não era mais um anônimo conversamos por algumas horas, o casal disse que a minha atitude de sair do local de origem e ir em direção ao desconhecido era um ato de coragem, também de risco porque adaptar-se ao novo ainda mais ao movimento da metrópole era uma tarefa árdua.
Pela manhã do dia seguinte recoloquei o pé na estrada, que no momento estava úmida devido à chuva do começo de novembro, passei por um campo-santo era dia dois, ajoelhei diante da cruz principal onde os familiares ascendiam velas aos seus mortos, junto a minha atitude de cair de joelhos a terra, as lagrimas vieram logo atrás rezei pelo meu irmão que havia partido há alguns anos.
Vendo a minha emoção um senhor de idade parou-se ao meu lado e disse:
- É triste perder aqueles que amamos não é mesmo filho?
Parou por alguns segundos e disse mais:
- Entendo o que sentes por ser um homem de idade, meus pais e meus irmãos não pertencem mais a este plano, da família sou o único que permaneço aqui.
Com aquelas palavras, as minhas lagrimas cessaram, levantei-me e olhei para o sábio que dizia as mesmas percebi que era o vigário da cidade.
Por um momento me senti triste, depois daquele discurso muito bem contornado esbocei um sorriso, mais que preciso, pois afinal meus pais eram vivos, a chuva parou de cair no mesmo momento que voltei a me sentir feliz por estar vivo, agradeci ao padre por ter me mostrado que não era preciso partir a uma longa distância para reencontrar a felicidade, mas que ela estava dentro de mim, e que partir deixaria os meus com saudade e talvez quando eu voltasse a casa, eles não estariam mais ali.
Parti na direção contraria, ao invés de caminhar lentamente como vim até ali comecei a correr, para voltar ao lar o mais rápido possível, e daquele dia em diante mudei e junto com minha mudança, tudo o que estava ao meu redor mudou juntamente agora tudo estava em harmonia.

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